Entre a civilização e a barbárie: a dialética do terror

Resenha crítica
LEWIS, Bernard. A Crise do Islã: Guerra Santa e Terror Profano. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. (pp.110 – 149)
Paulo De Vicentis
Aluno do 3º ano de Graduação do Curso de História da UNIFESP
Resenha realizada como parte da avaliação da UC Eletiva “De amor e trevas: modernidades, terrorismos e utopias” ministrada pela Profa. Dra. Ana Lúcia L. Nemi e pelo Prof. Dr. Rafael Ruiz do curso de história da Universidade Federal de São Paulo.

No século VII, uma doutrina religiosa se disseminou na Península Árabe e fez nascer um reino que, nos séculos seguintes se expandiu para o norte da África, Pérsia e Índia, Europa oriental e Península Ibérica e no século XV, dominou Bizâncio – a última porção do Império Romano. O Império Otomano que teve origem na conversão de tribos árabes aos ensinamentos de Maomé foi extinto em 1918, juntamente com o Império Austro-Húngaro, derrotados pelos países aliados – França, Inglaterra e Rússia – na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O imperialismo francês e inglês que já se manifestara no norte da África, em fins do século XIX, agora estendia seus tentáculos para o Oriente Médio, limitando a autonomia dos povos árabes, voltando-se para a exploração do petróleo, a principal riqueza da região e impondo um projeto de modernização calcado no Estado laico, até então, estranho aos povos islâmicos. Afora essa transgressão cultural, um tratado entre a Inglaterra e o rei da Jordânia, outorgava parte do território jordaniano para a criação do Estado de Israel. Como conseqüência, os grupos que lutavam contra os colonizadores tinham mais um alvo ao qual dirigir seus atentados. Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1944), as colônias da França e Inglaterra se emanciparam e a implantação do Estado de Israel se consolidou com o apoio do ocidente cuja nação mais poderosa já não era européia e sim americana: os Estados Unidos da América.
Nesta ligeira explanação, apresentamos os fatos que fizeram do mundo islâmico um oponente visceral do ocidente e que Bernard Lewis abordou em seu livro A crise do islã – guerra santa terror profano(1) a seguir resenhada, discutida e confrontada com a questão do fundamentalismo islâmico e do terrorismo em suas várias acepções.
Resenha
LEWIS, Bernard. A crise do islã: guerra santa e terror profano. Tradução: Maria Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
Em A crise do islã: guerra santa e terror profano, o historiador Bernard Lewis, especialista em islã da Universidade de Princeton, busca elucidar como o mundo muçulmano se relaciona com o ocidente desde sua fundação até os dias de hoje. Reconhecido internacionalmente – segundo seu editor – como um dos maiores especialistas em Oriente Médio da atualidade, Bernard Lewis apresenta possíveis causas para a situação atual da região que abrigou o Império Otomano, centrando seu discurso no terrorismo enquanto resposta de grupos islâmicos às tentativas de ocidentalização que, a partir do século XIX, a região tem sido alvo com insistência. Embora não discuta a partilha do Império Otomano entre França, Inglaterra e URSS, decorrente da vitória dos aliados na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Lewis identifica o terrorismo na região, a partir da década de 1950, com ações de caráter nacionalista, com o fim de libertá-la dos colonizadores, o que resultou na formação de grupos como o Hamas e a OLP – Organização para Libertação da Palestina. Assim, em seu percurso para compreender as causas da jihad(2) islâmica, Lewis se baseia nos ensinamentos corânicos ou nas leis da sharia(3) para contestar a postura de tais organizações que atribuem ao Ocidente a miséria e a pobreza que se observam no mundo islâmico e são constatadas por índices de desenvolvimento das Nações Unidas.
Recuando no tempo, Lewis argumenta que as relações entre o islã e o ocidente sempre foram tensas, calcadas predominantemente em disputas religiosas, visto que a guerra islâmica tinha por finalidade converter o inimigo ao islamismo. Isto porém não eximia o islã de conflitos internos, entre partidários de diferentes interpretações das revelações do Profeta. Como por exemplo, o movimento wahhabista do século XVIII que pregava o retorno aos fundamentos do islã e considerava qualquer iniciativa modernizadora da sociedade um atentado contra os princípios da lei corânica, voltando-se principalmente contra os muçulmanos que se manifestassem favoráveis a mudanças de caráter ocidental, ou seja, seus inimigos internos.
Lewis observa também que nos conflitos mundiais, o mundo islâmico se aliou aos adversários do ocidente o que não é difícil de compreender pois no século XIX, França e Inglaterra subjugavam regiões do norte da África a seu “projeto civilizador” e nos períodos pós-guerra dividiram entre si o espólio do Império Otomano.
Segundo o autor, o império árabe se expandiu a partir de guerras que tinham por finalidade a conversão dos demais povos ao islamismo, tendo dominado a Península Árabe, a Pérsia, o Iraque, o norte da África, a Síria, a Ásia e a Península Ibérica, e representado ameaça constante ao Império Romano do Oriente que finalmente sucumbiu no século XV. A partir daí, o mundo islâmico constituiu o Império Otomano que sobreviveu até a Primeira Guerra Mundial, quando foi dividido entre os países aliados – França, Inglaterra e URSS.
Entretanto, na década de 1930, empresas norte-americanas iniciaram negociações para prospectar e explorar petróleo com a Arábia Saudita. De acordo com Lewis, os países islâmicos encontram-se sob regime autoritário e fechado em torno de uma família que controla o governo e a economia local. Assim, a riqueza proveniente da exploração do petróleo fica restrita a um pequeno grupo, em prejuízo da grande maioria da população.
Após a Segunda Guerra Mundial, França e Inglaterra acabaram por desistir de seus projetos imperialistas haja visto o custo para reprimir os movimentos de libertação e, principalmente, por não contarem com o apoio dos Estados Unidos da América para manter suas colônias. Nesse período, os Estados Unidos da América tornavam-se o grande líder do mundo ocidental, enquanto a URSS desempenhava esse papel perante a outra porção do mundo que não se alinhava ao projeto norte-americano.
O regime saudita se estabeleceu com o apoio dos wahhabistas, uma facção originária do século XVIII que pretendia renovar e purificar o islã, restabelecendo os preceitos ensinados pelo Profeta. O wahhabismo se opunha ao Império Otomano e apoiara a família Saud num episódio de rebelião reprimido pelo sultão otomano. No período posterior à Segunda Guerra Mundial, o wahhabismo continuou e continua a apoiar o regime saudita o que, na visão de grupos mais radicalmente apegados ao tradicionalismo islâmico, representa uma inaceitável aliança do islã com o ocidente.
Nesse contexto, a guerra santa do islã é retomada para afastar a corrupção trazida pelo ocidente que se materializa, segundo Lewis, nos Estados Unidos da América e seus aliados. Ainda de acordo com Lewis, facções tradicionalistas subvertem o Alcorão, a sharia e outras instituições islâmicas, como a madrasa, para legitimar atentados terroristas e golpes de estado, como por exemplo, o que, nos anos 1970, derrubou o Xá da Pérsia, colocando em seu lugar um líder religioso, o Aiatolá Khomeini e um regime fundamentalista. Lewis atribui a Khomeini uma transgressão à lei corânica ao colocar a prêmio a cabeça do escritor Salman Rushdie que teria ofendido o islã e o Profeta com seu livro Versos satânicos. Na mesma direção, o suicídio de homens-bomba que, como toda e qualquer forma de suicídio, é condenada pelo Alcorão, na atual concepção dos grupos terroristas representam um sacrifício que fará de seu executor um mártir.
Lewis faz críticas ao ocidente por suas omissões com relação aos governos autoritários para proteger interesses meramente comerciais e também observa que o fim da Guerra Fria deixou os países islâmicos sem ter a quem recorrer nos eventuais embates com as potências ocidentais. Esses fatos acabaram por fornecer argumentos anti-ocidentais aos grupos fundamentalistas e, nessa perspectiva, os Estados Unidos eram a síntese de tudo o que o islã repudiava a ponto de a Al Qaeda declarar guerra ao governo norte-americano, aconselhando-o, inclusive, a deixar o islã em paz e adotar a religião islâmica.
Segundo Lewis, os atentados nos dias de hoje despertam o medo ao atingir pessoas do povo, em um certo sentido inocentes porque, apesar de conviverem com as situações causadoras do ato terrorista, não podem ser responsabilizadas por sua existência. Dessa forma, a destruição do World Trade Center ou da estação do metrô de Madrid ou a explosão de um homem-bomba nas ruas de Tel-Aviv causam comoção e insegurança, fazem centenas de vítimas inocentes e deixam o estigma da violência e da intolerância associados os islamismo.
Lewis observa que o islã continua a se propagar, apontando para o crescimento de comunidades muçulmanas na Europa, notadamente na França, sugerindo uma retomada da luta pela dominância do mundo.
No posfácio de A crise do islã – guerra santa terror profano, o autor revela que o livro é resultado da síntese de artigos publicados na imprensa norte-americana. Talvez, por isso, tangencia questões de suma importância para a compreensão do mundo islâmico hoje identificado com a disseminação de violência e medo por todos os quadrantes. Lewis aborda as questões do islã a partir de uma perspectiva ocidental ou sob o prisma do orientalismo, ou seja, o oriente é aquilo que o ocidente definiu como oriente ou como afirma Edward Said(4)
“a indagação imaginativa das coisas orientais era baseada mais ou menos exclusivamente numa consciência ocidental soberana, de cuja centralidade não questionada surgia um mundo oriental, primeiro de acordo com idéias gerais sobre quem ou o que era um oriental, depois de acordo com uma lógica detalhada regida não apenas pela realidade empírica, mas por uma bateria de desejos, repressões, investimentos e projeções.”
É com esse olhar que Lewis constrói o islã, atribuindo à Europa e aos Estados Unidos condições de levar a modernidade ao atrasado mundo árabe, no qual o fanatismo religioso impede a assimilação da civilização ocidental secular e progressista. A Arábia pré-concebida pelo ocidente, oriunda das mil e uma noites, continuava a se mostrar entre véus, perturbando e desafiando a capacidade do homem civilizado do ocidente em transformá-la à sua imagem e semelhança.

O terrorismo e o fundamentalismo
O terror é uma constante e pode ser observado em vários estágios do desenvolvimento das sociedades. No século XV, por exemplo, nas cidades-estado italianas, Francesco Sforza envenenara esposa e filha para ser o único com direito à da herança da família e urdira planos que o levaram a reinar sobre Milão(5) . No século XVI, os descobrimentos de espanhóis e portugueses dizimaram populações inteiras de autóctones, algumas até mais civilizadas que os ibéricos. Já no século XVII, a sociedade inglesa exigiu a cabeça de Carlos I por suas tendências absolutistas e também por suspeitar de possíveis favorecimentos à Igreja de Roma(6) . No final do século XVIII, a Revolução Francesa na sua fase mais violenta, exterminou membros da família real, do clero e mesmo líderes importantes em outros momentos da Revolução. No século XIX, o ocidente europeu, ao levar seu projeto civilizatório – o Estado nação – à África e à Ásia, ignorava séculos de aprendizado de povos que, até então, sobreviviam em equilíbrio com seu ambiente, sem necessidade de ferrovias para se locomover ou transportar riquezas.
Contudo, o século XX, com as guerras de 1914 e 1939, superou em termos de destruição e violência todo o passado de terror que a Europa ocidental exportou para os demais continentes, provocando a reconfiguração política da África e do Oriente Médio que engendrou novos focos de conflito ao impor a convivência entre judeus e muçulmanos para defender, acima de tudo, seus interesses econômicos. Do final da Segunda Guerra Mundial, ao final da década de 1980, o mundo se polarizou entre o projeto capitalista dos Estados Unidos da América e o comunismo da URSS que ruiu como o muro de Berlim. A partir dos anos 1990, a supremacia americana ditou as regras de convivência internacional, contando com o apoio irrestrito da Europa ocidental e de Israel para subjugar o regime de Saddam Hussein, isolar o fundamentalismo do Irã, assumir o lugar da extinta URSS na luta contra o Taleban no Afeganistão. Isto pode explicar porque os Estados Unidos se tornaram o inimigo número um dos grupos terroristas islâmicos.
Os anos 1990 trouxeram ainda a apologia do estado mínimo, ou seja, o estado perdia seu papel de regulador da atividade econômica para que o mercado se auto-ajustasse de acordo com a lei de oferta e procura; o capital poderia se deslocar sem entraves de quaisquer natureza a procura de melhores e maiores possibilidades de lucro, instaurava-se a globalização cujo significado pode ser a guerra de todos contra todos para obter os favores do capital.
Assim, o avanço do capitalismo e dos meios de comunicação levaram um projeto de ocidentalização aos povos árabes que, ao se chocar com seus preceitos religiosos, encontrava e acirrava as resistências à sua implementação. Dessa forma, a civilização ocidental produziu a barbarização de povos ditos não civilizados no processo de torná-los consumidores, provocando seu empobrecimento em dois aspectos, ao perder suas tradições e por não ter condições de poder consumir a civilização trazida pelo colonizador.
Em tempos de globalização, tais condições aprofundaram as divergências entre o oriente e o ocidente, tendo como conseqüência a busca na tradição de elementos para resistir à inovação imposta pelo ocidente. Talvez nesse processo esteja a grande questão: enquanto o ocidente caminhou, passo a passo, para um mundo dominado pela razão e desvinculado da religião, no oriente o apego à religião é mais arraigado e, assim, não se pode pretender a secularização da sociedade de uma hora para outra. Isto explica porque revoluções no mundo islâmico acabam por restaurar a dependência entre Estado e religião, como ocorreu no Irã, por exemplo, ou no Afeganistão, mais recentemente, com a chegada do Taleban ao poder e também esclarece a origem de movimentos fundamentalistas que, segundo Karen Armstrong(7) , representam a reação a um projeto secular que teria por objetivo eliminar a religião e decorrem intrinsecamente da modernidade que não teria cumprido suas promessas, fazendo uma leitura atual do que seria a religião no momento anterior à chegada dos elementos modernos, tornando-se, assim, “parte essencial da cena moderna”.
Nesse sentido, o fundamentalismo islâmico talibã, ao restabelecer o uso do véu para as mulheres e proibi-las de participar da vida pública(8) , por exemplo, está reagindo a práticas ocidentais e se valendo da religião para se contrapor às ameaças advindas com a modernidade. Voltando ao pensamento de Karen Armstrong,
“O fundamentalismo, portanto, revela uma fissura na sociedade, que se polariza entre os que desfrutam a cultura secular e os que a vêem com horror. … Os fundamentalistas muçulmanos, muitas vezes, se opõem mais a seus conterrâneos ou companheiros de crença que adotam uma perspectiva mais positiva da modernidade do que a inimigos externos como o Ocidente ou Israel. … Assim sendo, eles às vezes estarão à frente de uma ofensiva que pode adquirir muitas formas, e que se destina a trazer a corrente predominante de volta ao caminho certo e a sacralizar novamente o mundo. Todos os fundamentalistas acham que estão lutando por sua sobrevivência e, por estarem imprensados contra a parede, acreditam ter que lutar para sair do impasse. Nesse estado de espírito, em raras ocasiões alguns recorrem ao terrorismo.(9) ”
Os atentados terroristas protagonizados por grupos fundamentalistas islâmicos não têm sido tão raros como afirma Karen Armstrong: homens e mulheres perdem a vida ao se tornarem veículos de bombas que explodirão em alguma grande cidade da Europa, da Ásia ou Israel. Tais ações, conforme Lewis pontua, geram medo e comoção ao serem veiculadas nos jornais e telejornais ao redor do mundo. Será o ato de terror um recurso desesperado para mostrar ao mundo uma situação de injustiça à qual está submetido o povo islâmico? Ao se considerar as reações nos países árabes após o 11 de setembro, percebe-se o ódio que o ocidente desperta nos corações e mentes do islã e esse episódio teve a dimensão de uma re-edição da luta entre Davi e Golias. A razão desse ódio encontra-se exatamente na arrogância do ocidente em julgar-se iluminado e não admitir que outras visões de mundo possam existir além de sua racionalidade radical, ou nas palavras de Said, “a relação entre o Ocidente e o Oriente é uma relação de poder, de dominação, de graus variáveis de uma hegemonia(10) complexa”(11) , refletindo também o fracasso de uma utopia não concretizada porque a modernidade imposta não encontrou eco na sociedade que pretendia transformar e também porque a criara a partir de suas próprias percepções e concepções.
Se por um lado, o fundamentalismo justifica os ataques do Hezbollah e da Al Qaeda, por outro o que justificaria atos dos governos Estados Unidos ou Israel classificados como terroristas pelo Conselho de Segurança da ONU? Essa questão é discutida por Noam Chomsky(12) que a partir da definição de terrorismo do exército americano – “é o uso calculado de violência ou a ameaça de violência para alcançar metas de natureza política, religiosa ou ideológica … por meio da intimidação, coação ou instilação do medo(13) ” ou da definição do governo britânico – “é o emprego, ou a ameaça de emprego, de ação violenta, danosa ou perturbadora, com a intenção de influenciar o governo ou intimidar o povo e tem como finalidade o avanço de causa política, religiosa ou ideológica(14) ” – qualifica ações do governo americano e israelense como exemplos de atos terroristas. Classificadas como terrorismo internacional com apoio estatal(15) e, embora sejam condenadas nas instâncias das Nações Unidas, ao grande público são veiculadas como ações legítimas para garantir os interesses americanos ou israelenses.
Nesse contexto, a palavra terrorismo assume uma dimensão relativa e um ato poderá ser considerado terrorista se perpetrado por uma organização como a Al Qaeda ou poderá ser uma ação legítima para defender os interesses de um Estado. Independente de seu autor, o ato terrorista significará a morte violenta de inocentes. As palavras do ex-diretor do Human Rights Watch Africa, a respeito dos bombardeios dos Estados Unidos sobre o Afeganistão, citadas por Chomsky(16) , traduzem com precisão essa situação: “Não sou capaz de ver qualquer diferença moral, política ou jurídica entre esta jihad dos Estados Unidos contra seus supostos inimigos e a jihad dos grupos islâmicos contra seus supostos inimigos.”
Esse discurso é revelador porque além de considerar terrorismo tanto o bombardeio do Afeganistão como a destruição do World Trade Center, desloca a questão para a motivação dos atentados, pois a humanidade já aprendeu que violência gera violência e que a diplomacia tem, por vezes, se mostrado eficaz para solucionar conflitos.
No posfácio de Uma história dos povos árabes, de Albert Hourani, Malise Ruthven(17) escreveu:
“No final de março de 2002, antes da entrada dos tanques israelitas em todos os territórios controlados pela Autoridade Nacional Palestina, conforme os Acordos de Oslo, a Liga Árabe havia tomado por unanimidade a decisão historicamente importante de reconhecer e “normalizar” as relações com Israel ( … ) em troca da devolução aos palestinos dos territórios ( … ) ocupados por Israel na guerra de 1967. Mas após as novas incursões israelitas, as perspectivas de um acordo dentro dessas linhas pareciam mais longínquas do que nunca. O verdadeiro beneficiário dessa nova escalada da crise entre Israel e os árabes foi o Iraque: no novo clima polarizado, nenhum governo árabe poderia se arriscar a cooperar numa campanha contra o “terrorismo” iraquiano liderada pelo principal aliado e suporte de Israel, os Estados Unidos. Uma solução do conflito palestino, que durava mais de meio século, não resolveria em si mesma os problemas de legitimidade e autoritarismo que ainda afligiam os povos árabes e seus governos. Mas ela teria o potencial de transformar uma ferida aberta no coração do mundo árabe-muçulmano e em sua consciência numa formidável fonte de regeneração econômica e social. ”
A jihad americana, a truculência israelense e a apologia do terror atentam contra a razão que, para os filósofos do século XVIII, representava a redenção humana, um ideal a ser buscado com o intuito de solucionar os problemas da humanidade: foi mais uma utopia e, enquanto, utopia permanece por se realizar ou por outro lado permanece fora do espaço, sem lugar. No século XXI, a despeito de toda a evolução tecnológica, o homem continua a se mostrar incapaz de um convívio pacífico com seus semelhantes e adota o terror para tentar controlar o que lhe causa medo.
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Bibilografia
Fonte documental:
LEWIS, Bernard. A crise do islã: guerra santa e terror profano. Tradução: Maria Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

Fontes bibliográficas:
ARMSTRONG, Karen. O islã. Tradução: Anna Olga de Barros Barreto. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
BURCKHARDT, Jacob. A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio. Tradução: Sergio Tellaroli. São Paulo: Cia das Letas, 2009.
CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Tradução: Regina Lyra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
HOBBES, Thomas. Behemoth ou o longo parlamento. Tradução: Eunice Ostrensky. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001
RUTHVEN, Malise. Posfácio. In: HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. Tradução: Marcos Santarrita. São Paulo: Cia das Letras, 2006.
SAID, Edward W.. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Tradução: Rosaura Eichenberg. São Paulo: Cia da Letras, 2007.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) LEWIS, Bernard. A crise do islã: guerra santa e terror profano. Tradução: Maria Lúcia de Oliveira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
(2) Jihad significa empenho (em converter) mas atualmente se refere à luta do islã contra o ocidente, engendrada por grupos fundamentalistas, como a Al Qaeda e o Hezbollah.
(3) Sharia é o código de leis muçulmanas, baseadas no Alcorão.
(4) SAID, Edward W.. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Tradução: Rosaura Eichenberg. São Paulo: Cia da Letras, 2007, p. 35.
(5) BURCKHARDT, Jacob. A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio. Tradução: Sergio Tellaroli. São Paulo: Cia das Letas, 2009. p. 55.
(6) HOBBES, Thomas. Behemoth ou o longo parlamento. Tradução: Eunice Ostrensky. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001, p. 101
(7) ARMSTRONG, Karen. O islã. Tradução: Anna Olga de Barros Barreto. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 221.
(8) ARMSTRONG, Karen. Op. Cit. p. 226.
(9) Idem, idem, p. 222-223.
(10) A forma como uma liderança cultural é exercida: esta e a definição de hegemonia de Gramsci que Said utilizou pois considera um conceito indispensável para a compreensão da vida cultural no Ocidente industrial. Ver: SAID, E. Op. Cit. p. 34.
(11) SAID, Edward W.. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Tradução: Rosaura Eichenberg. São Paulo: Cia da Letras, 2007, p. 32.
(12) CHOMSKY, Noam. O império americano: hegemonia ou sobrevivência. Tradução: Regina Lyra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
(13) CHOMSKY, Noam. Op. Cit. p. 190
(14) Idem, ibidem.
(15) CHOMSKY, Noam. Op. Cit. , p. 197
(16) Idem, idem, p. 203. Obs.: não será possível informar quem era o diretor do HRWA pois as notas não foram copiadas junto com os capítulos selecionados para texto de aula.
(17) RUTHVEN, Malise. Posfácio. In: HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. Tradução: Marcos Santarrita. São Paulo: Cia das Letras, 2006. p. 614-615.

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