Leopoldina- A princesa do Brasil

FICHA TÉCNICA
Autor Clóvis Bulcão
Título Leopoldina- A princesa do Brasil
Editora Rocco
Cidade Rio de Janeiro
Ano 2006
Número de páginas 88
Prefácio: não há
Posfácio não há
Tradutor não há
Descrição física completa: Brochura, páginas costuradas, capa mole, alta qualidade de papel e impressão, imagens coloridas.
R$ 30,00
Fonte de consulta do preço: Livraria Cultura

Categoria da obra:
Ficção ( x ); Não-ficção ( x ); Referência ( )

Público-Alvo:
Leitor Iniciante( x ); Leitor Médio (); Leitor Avançado ( )
Observações: O livro é completamente direcionado ao público infantil, é muito útil para a utilização de professores e atividades escolares, sendo assim, sua linguagem é acessível, as várias imagens ajudam a compreensão do texto.

RESUMO
O pequeno livro de Clóvis Bulcão, Leopoldina- A princesa do Brasil, com linguagem extremamente acessível, procura recriar o ambiente vivido por Maria Leopoldina, princesa Habsburgo que ao se casar com o Príncipe português e Imperador do Brasil, D. Pedro,se tornou a primeira nobre austríaca a habitar o novo mundo.
Com muitas imagens e alta qualidade de impressão, as várias cores do livro o colocam como objeto de muita atração, principalmente para seu público foco, o público Infanto-juvenil.
Mesmo para adultos, esse leve e divertido livro, informa o leitor a respeito de várias curiosidades, não somente a respeito da vida particular do I imperador do Brasil, de sua esposa e da corte, como também, os vários rituais da monarquia portuguesa, Austríaca e a jovem monarquia brasileira.

FRASE DO NARRADOR “Culta, inteligente, combativa e…Muito apaixonada. Assim era a Dona Leopoldina, esposa de D. Pedro I. Com seu jeito carismático e encantador, a princesa do Brasil participou da vida política do país, contribuindo para as mudanças necessárias ao bem estar dos brasileiros, que mais do que seus súditos tornaram-se seus admiradores”. Apresentação da Editora- Contra capa.

TEXTO NARRATIVO
Leopoldina, A princesa do Brasil de Clóvis Bulcão reconta a História da 1ª Imperatriz do Brasil, a Princesa Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo-Lorena.
Filha de Francisco Habsburgo e Maria Teresa de Bourbon Sicília, Leopoldina nasceu em 1797 e foi uma legítima representante da nobreza austríaca de Habsburgo, e assim como sua irmã Maria Luisa, foi educada desde muito cedo para respeitar os princípios da monarquia, a individualidade de seus súditos e a lei natural que determinava a necessidade de afastamento de interesses particulares e a preferência por atos que visavam o verdadeiro interesse popular.
Sua vida no palácio de Viena, o grande afeto familiar, sua esmerada educação, e as amadas férias no palácio de Schönbrunn marcaram definitivamente a personalidade desta refinada jovem Leopoldina.
Direcionada à cultura e às letras, aprendeu desde cedo com a experiência dos pais, que a sabedoria desenvolvida pela leitura e erudição, garantiriam a sua capacidade de governo, facilitando a tomada de decisões justas e eficientes.
Ainda muito nova, Leopoldina foi surpreendida pela invasão napoleônica e foi obrigada, assim como toda a corte austríaca, a exilar-se em Schönbrunn para evitar acidentes com a família real.
As turbulências políticas do período, especialmente as causadas pela repentina expansão e invasão das tropas de Bonaparte por toda a Europa ocidental são bem retratadas pelo autor.
Assim que os ataques cessaram, Leopoldina foi ainda mais surpreendida pela notícia que mudaria sua vida. Sua irmã e companheira Maria Luisa, no sentido de colaborar com as relações internacionais da coroa Habsburgo, tivera que abandonar seus interesses para o bem e para a garantia de paz entre a Áustria e a França.
A jovem e bela Maria Luisa, por contratos políticos, deveria se casar com Napoleão Bonaparte. Clóvis Bulcão destaca nesse momento, o sofrimento de toda a família, no entanto, o entendimento a respeito da importância dos interesses reais e políticos.
Pouco tempo depois, chegara a vez de Leopoldina, que na mesma medida que a irmã, foi direcionada aos laços matrimoniais que antes do amor, representavam projetos políticos de união entre as Coroas de Habsburgo (Áustria) e Bragança (Portugal).
Apesar de não conhecer e nunca ter visto ao menos uma gravura de seu noivo, Maria Leopoldina em concordância com a tradição e o dever monárquico, aceita o combinado e casasse com Pedro de Alcântara, filho do príncipe Regente de Portugal D. João VI e Carlota Joaquina.
Em cerimônia que não contava com a presença do noivo, em grande festa, a Áustria comemorou a união e enviou ao novo mundo sua primeira representante, que apesar de apreensiva partia feliz, acreditava que em terra tropicais poderia desenvolver ainda mais seu gosto pelas ciências naturais como a botânica, a mineralogia e a zoologia.
Maria Leopoldina vem ao Brasil e é recebida com festa na capital do Reino, o Rio de Janeiro. Vem acompanhada de ajudantes e serventes além de sua fiel amiga e criada, a Aia Annonny, que desde o momento do nascimento já cuidava de Leopoldina.
O autor destaca o gosto que Leopoldina prontamente desenvolveu pelo marido e pela paisagem arrojada e exuberante do Rio de Janeiro.Além disso, é bastante destacado também, a capacidade de negociação política que tinha Leopoldina, que segundo o autor, é decorrente de sua educação esmerada.
O grande foco do livro é a vida da princesa que em pouco tempo de casamento se tornou a Imperatriz do Brasil. Apesar do convívio com D. Pedro, D. João, dona Carlota e a corte luso-brasileira, as impressões de Leopoldina são centrais na elaboração de Clóvis Bulcão.
O autor coloca, e em todo momento reforça, a postura submissa de Leopoldina em relação à seu marido Pedro de Alcântara, que a partir de 1822 se tornara D. Pedro I do Brasil.
As gravidezes problemáticas, a sensibilidade, a inteligência, a beleza e a reverência ao marido são evidentes por todo o livro. Até mesmo nos momentos de Império, onde o autor sugere que D. Pedro I se encontrava embriagado pelo poder, segundo o autor, Leopoldina era fiel e obediente.
Como é sugerido pelo autor, esta embriaguez do Imperador não atrapalhavam somente suas negociações de gabinete, mas também, e talvez até principalmente suas relações com Maria Leopoldina.
Os boatos do envolvimento de D. Pedro com a Marquesa de Santos não são conformados pelo autor. Sua sugestão reflete o interesse de não aplicar juízos de valor na personalidade do I Imperador do Brasil.
As violências que também são conhecidas, que envolviam a agressão de Leopoldina por seu marido, são completamente omitidas no texto.Mesmo com estas omissões, este texto se coloca como bastante útil para o público leitor infanto-juvenil, as imagens dialogam muito bem com o texto, e a elaboração do livro é bastante acessível.
A notável vida desta Habsburgo nos trópicos muitas vezes é esquecida pelos que costumam contar a História do Brasil. No entanto, a jovem princesa por algumas vezes foi Imperatriz regente e presidiu reuniões importantes, demonstrando poder de atuação em diversos momentos decisivos da vida do Brasil, assim como a Independência.
Foi imortalizada na bandeira nacional, assim como conta o autor para acabar com confusões a respeito da escolha das cores da bandeira do Brasil. O seu espírito patriótico, de uma austríaca que amava o Brasil, deu o privilégio de ter representada na bandeira do novo país a cor de sua dinastia Habsburgo, o amarelo, sobreposto ao verde, referente à casa de Bragança, ou seja, a família de D. Pedro I.
Curiosidades como essa, apimentadas pelos diálogos fictícios criados por Clóvis Bulcão, que apesar de inventados refletem muito bem a realidade do período fazem deste, um belo e atraente livro.
Muito indicado para jovem leitores, especialmente para os que cursam o Ensino Fundamental, a obra Leopoldina, a Princesa do Brasil apesar das omissões tratadas acima, merece atenção, tanto pelo seu belo texto, quanto até mesmo, para a utilização de professores que procurem criticar a visão heróica e moral confiada à personagens relevantes da História Nacional.
Leopoldina morreu depressiva e jovem. Segundo o autor, a desilusão amorosa causada pelos supostos rumores dos casos de seu marido a amarguraram e à levaram à morte. Faleceu no Brasil, como Imperatriz em 1826, e deixou a vida de seu filho D. Pedro II, futuro imperador do Brasil.
Este livrinho que conta a vida da garota que ainda menina conheceu diversas figuras relevantes, tanto da História Nacional como Internacional, como o poeta alemão Goethe, por exemplo, traz quadros explicativos com várias imagens que retratam os palácios e lugares referendados pela história, deste modo, a leitura se torna ainda mais prazerosa e acessível.

CAMPO BIBLIOGRÁFICO DO AUTOR DO LIVRO

Por se dirigir ao público infantil, não há debates bibliográficos, nem citações ao fim da elaboração. O autor apenas indica a origem de suas imagens e oferece uma simples e resumida cronologia da vida de Leopoldina.

DADOS DO AVALIADOR
NOME: Diego Luiz Escanhuela
FORMAÇÃO: graduando em História
CAMPO DE ATUAÇÃO
ÁREA PRINCIPAL

São Paulo, 17 de dezembro de 2008.
Autor do Parecer:
Diego Luiz Escanhuela

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