Carlota Joaquina, Cartas Inéditas

FICHA TÉCNICA
Autor Francisca L. Nogueira de Azevedo
Título Carlota Joaquina, Cartas Inéditas
Editora Casa da Palavra
Cidade Rio de Janeiro
Ano 2007
Número de páginas 263
Prefácio: não há
Posfácio não há
Tradutor não há
Descrição física completa: Brochura, páginas costuradas, alta qualidade de papel e impressão.
R$ 39,00
Fonte de consulta do preço: Casa da Palavra

Categoria da obra:
Ficção ( ); Não-ficção ( x ); Referência ( )

Público-Alvo:
Leitor Iniciante( ); Leitor Médio ( x ); Leitor Avançado ( )
Observações: Esta é uma edição que reúne cartas de Carlota Joaquina. Este arquivo, montado por cartas recebidas e enviadas, procura respeitar em certa medida a linguagem usada por Carlota e por seus interlocutores. Sendo assim, em alguns momentos a escrita é um pouco rebuscada, no entanto, em nenhum momento esta elaboração atinge níveis muito avançados.

RESUMO
Carlota Joaquina, Cartas Inéditas é uma das edições que pretendem festejar e repensar o aniversário de 200 anos da chegada da família real portuguesa na América. Francisca L. Nogueira de Azevedo, em pesquisa minuciosa procura desconstruir estereótipos que com o passar do tempo, foram incorporados pela memória pública a respeito da personalidade desta família real que assistiu a independência das Terras Americanas e o nascimento do Brasil.
A organização deste conjunto de correspondências, tanto ativas quanto passivas, pretendem também informar o leitor acerca do cotidiano vivido pela família real no início do século XIX, servindo também, para a apreensão de informações políticas do reino português e espanhol, além das tensões européias causadas pela política napoleônica.
As 145 cartas reunidas e organizadas por assuntos, Cartas Particulares, Cartas de Gabinete e Cartas Políticas, demonstram o diálogo entre a rainha seu marido d. João VI, e outras importantes figuras políticas da época, como O rei de Espanha Carlos IV, a Rainha de Portugal Maria, a mãe e Rainha de Espanha Maria, a filha e rainha de Espanha Maria Isabel entre outros.

FRASE DO NARRADOR “Às vésperas dos festejos pelo bicentenário da chegada de d. João e d. Carlota Joaquina ao Rio de Janeiro, acompanhados de sua real família e da Corte portuguesa, a obra de Francisca Nogueira de Azevedo apresenta-se como grata contribuição à revisão da apaixonada atuação, política e simbólica da rainha Carlota Joaquina, a partir de um conjunto documental inédito e de grande importância.” Comissão de Organização p. 6.

TEXTO NARRATIVO
Este conjunto de cartas reunido pela Professora da UFRJ, Francisca Nogueira de Azevedo, é composto por 145 correspondências escritas e recebidas pela Rainha de Portugal, d. Carlota Joaquina. O livro está divido de forma temática, onde três conjuntos contém as cartas que, de acordo com o crivo do grupo organizador, encaixam-se nas temáticas de Particulares, Gabinete e Políticas.
As cartas particulares são comunicações entre Carlota e seus pais, rei e rainha de Espanha, Carlos IV e Maria Luisa, nos fins do século XVIII e início do XIX.
Este conjunto reflete a turbulência política do período, ainda mais inflamados pela Revolução Francesa em 1789, e pelo golpe do 18 de Brumário, dado por Napoleão Bonaparte em 1799.
As agitações francesas eram ainda mais relevantes na península Ibérica posta a relação de proximidade que Portugal firmara com a Inglaterra e, também, pela proximidade de Espanha e França. As disputas locais entre as coroas ibéricas e o projeto de Re-União das Coroas Ibéricas, assim como acontecera no século XVI, eram a todo momento acalorados por estas aproximações políticas que refletiam também interesses Ingleses e Franceses.
A preocupação de Carlota com seus pais e familiares, em especial após as ameaças francesas de invasão dão o sentido maior destas correspondências. O carinho e devoção por seus pais é destaque deste capítulo, além disso percebemos claramente, o entendimento de Carlota e seu marido, o infante d. João, que poucos anos depois se tornaria Príncipe Regente, e logo após, Rei de Portugal.
O Capítulo “As cartas de Gabinete” contêm as cartas trocadas entre José Presas e Carlota Joaquina. José Presas era espanhol e viveu em Buenos Aires até a invasão inglesa na região em 1807. Ao sair de Buenos Aires este espanhol aportou no Rio de Janeiro, onde pouco tempo depois aportou também a família real portuguesa.
José Presas foi o mais importante e direto secretário da Rainha, especialmente durante o período de invasão francesa na península ibérica, quando nascera o projeto Carlotista. Por ser filha do rei deposto Carlos IV, o movimento carlotista creditava à princesa de Portugal o direito de governar a coroa de Espanha. O projeto Carlotista se desenvolveu e tomou corpo, seu grande objetivo era colocar no poder da América Espanhola a rainha Carlota Joaquina, de modo a evitar a fragmentação do Reino Espanhol.
As cartas entre Carlota e Presas vão de 1808 à 1813, narram questões cotidianas da corte no Brasil, os conflitos entre os almirantes ingleses Smith e Strangford, a próxima ligação da Corte luso-brasílica com a coroa Inglesa, além das turbulências das juntas de Governo em Cádiz. (Modo de governo estruturado no momento que o trono real não estava ocupado pela coroa Espanhola, após a invasão napoleônica).
As cartas entre a princesa e seu secretário de Gabinete, retratam o início, o apogeu e a decadência do projeto de Carlota e seus conflitos com a coroa Portuguesa, em destaque, o Conde de Linhares, D. Rodrigo e o príncipe regente e marido, d. João.
As Cartas Políticas de Carlota Joaquina com diversas figuras relevantes da Junta Central (Cadiz), evidenciam o jogo político desta rainha portuguesa que pretendia alcançar o trono Espanhol. Estas correspondências são enviadas entres os anos de 1808 e 1812, quando as esperanças do projeto carlotita caem por terra.
As negociações de Carlota Joaquina com o conselho de Regência Espanhol mostram a sua agilidade e sagacidade no estabelecimento de relações internacionais. Apesar de por muito tempo ser escorada por almirantes ingleses, em especial Sidney Smith, em uma de suas correspondências por exemplo, a princesa desmente um acordo que supostamente teria feito com o conselho, sob a justificativa escrita de liberdade total, destacando a importância de respeitar os interesses espanhóis em detrimento dos ingleses.
Tanto a carta de confirmação e legitimação do direito da Rainha Carlota, as manifestações de afeto e apoio dos populares, as discussões acerca da disputa entre Carlota e seu primo D. Pedro Carlos, na sucessão real espanhola, quanto a confirmação do apossamento de Fernando VII, e conseqüentemente, o fim do sonho carlotista também estão destacados neste capítulo.
Cada divisão temática possui a sua própria cronologia. Este conjunto de correspondências pretende refletir o momento em que Carlota esteve bastante ativa na política Americana, enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro.
Seus interesses na província do Prata, juntados aos interesses opostos de D. João, seu rei e marido, refletem a oposição que tornou imortal no imaginário público acerca deste casal, o marido bonachão e a esposa traidora.
A introdução e os comentários de Francisca Nogueira, iluminam estes conceitos e nos possibilitam, como ela mesmo deixa nítido como objetivo da elaboração, o melhor entendimento da “tradição liberal-nacional, (que) visa encontrar os heróis da nação em construção”(p. 21).
Reflexos da vida e do tempo desta infanta espanhola, princesa e rainha de Portugal são acessíveis com a leitura destas cartas. Nos é possibilitado com essa leitura o entendimento mais aprofundado das relações das cortes internacionais em inícios do século XIX, além das sobreposições e contradições de interesses franceses, ingleses, portugueses e espanhóis.
Ao iniciar o livro a autora cita Habermans, que por sua vez percebe o século XIX como o século da História e das cartas. Para ele, este forte modismo da época, nada mais era do que a necessidade e o desejo de estabelecimento de relações “puramente humanas”, e de desenvolvimento da subjetividade de modo a estabelecer relações de intimidade até então desconhecidas.
Deste modo, quando lemos as cartas de Carlota, tanto o arquivo ativo quanto o passivo, temos a sensação de transposição ao ambiente reinol e imperial do século XIX ibero Americano.
Encontramos também neste livro, diversas ilustrações de Carlota e seus familiares, além de brasões, símbolos da monarquia e cartas manuscritas. A autora é cuidadosa, disponibilizando ao leitor índices de abreviaturas, e orientações a respeito dos nomes citados nas correspondências, questões primordiais para a viabilização do entendimento das cartas.
O livro é bastante útil para pesquisas, e principalmente, para curiosos brasileiros, que tem interesse no passado e no entendimento de figuras tão importantes e complexas como a popular Carlota, seu marido D. João, sua sogra, rainha de Portugal e seus filhos.

CAMPO BIBLIOGRÁFICO DO AUTOR DO LIVRO
Como grande parte desta elaboração é composta por reprodução de cartas, as únicas referências que contam são a bibliografia citada pela autora na introdução e em seus comentários. Há bibliografia, no entanto não há debates bibliográficos nem tampouco detalhamento de outras obras acadêmicas.

DADOS DO AVALIADOR
NOME: Diego Luiz Escanhuela
FORMAÇÃO: graduando em História
CAMPO DE ATUAÇÃO
ÁREA PRINCIPAL

São Paulo, 17 de dezembro de 2008.
Autor do Parecer:
Diego Luiz Escanhuela

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