Uma parisiense no Brasil, de Adèle Toussaint-Samson

FICHA TÉCNICA
Autor: Adèle Toussaint-Samson
Título: Uma parisiense no Brasil
Editora: Capivara
Cidade: São Paulo
Ano: 2003
Número de páginas: 192
Prefácio: Maria Inez Turazzi
Posfácio
Tradutor: Maria Lúcia Machado
Descrição física completa: brochura, capa dura, costurado
Preço: R$ 25,00
Fonte de consulta do preço: http://www.livrariacultura.com.br

Categoria da obra:
Ficção ( ); Não-ficção ( X ); Referência ( )

Público-Alvo:
Leitor Iniciante( ); Leitor Médio ( X ); Leitor Avançado ( )
Observações: a linguagem direta, narrativa fluente e despretensiosa, resulta em total empatia entre autor e leitor.

RESUMO
Filha de um autor de comédias e ator da Comédie Française, Adèle Toussaint-Samson e seu marido Jules Toussaint resolveram emigrar para o Brasil onde, conforme se dizia na época, uma estada de dez anos seria suficiente para enriquecer. Ao retornar à França, Adèle escreveu Uma parisiense no Brasil no qual registrou suas impressões sobre a sociedade brasileira e suas dificuldades de adaptação à vida na capital do Império Brasileiro. A falta de convívio social ou de uma conversação inteligente nas reuniões, o tratamento dispensado aos escravos, a reclusão da mulher foram questões abordadas com agudeza pela compatriota de Molière.

FRASE DO NARRADOR – Se existe o caos, quem há de se contentar com a ordem?

TEXTO NARRATIVO
Uma viagem de D. Pedro II a Paris, em 1870, permitiu a divulgação das memórias de Adèle Toussaint-Samson primeiramente em fascículos publicados no jornal Le Figaro; antes disso, as fracassadas tentativas de publicá-las deram o mote para o irônico prólogo da obra visto que os editores já tinham uma receita pré-concebida para esse tipo de livro e à qual seus escritos não se ajustavam: trezentas páginas, ênfase no exótico para interessar ao leitor, mesmo que não fosse verdadeiro, e título sugestivo eram requisitos fundamentais.
Conquanto as condições urbanas, principalmente no tocante ao saneamento, não fossem as ideais, a beleza da paisagem carioca contemplada a partir do mar ou dos morros da cidade compensava eventuais desconfortos. Limitada era, entretanto, a vida cultural por não possibilitar conversas interessantes, com teor erudito, sobre arte ou política, por exemplo.
A escravidão lhe causava revolta, seja pelos castigos infligidos ao escravo, seja pelos condições de habitação e alimentação e a ausência de cuidados para com os filhos dos cativos. Prostituição e promiscuidade também estavam presentes nas relações entre escravo e senhor.
Segundo a autora, a indolência e o orgulho, o desprezo ao trabalho manual, a mistura de raças e a inteligência eram características dos brasileiros; a mulher negra, enquanto expressão de sensualidade, desviava o homem branco. Tais afirmações, quando publicadas, soaram como provocação e vozes se levantaram – dos brasileiros residentes na França ao tradutor da edição brasileira – para desacreditar seu trabalho, dada a ausência de rigor ao nomear lugares e no tratamento de alguns acontecimentos históricos. Todavia, em sua defesa D. Pedro II declarou que “os povos, da mesma maneira que os indivíduos, não podem julgar a si próprios” (página 50). Adèle também denunciou o confinamento da mulher brasileira que não podia sair desacompanhada pelas ruas, isto somente era permitido para estrangeiras.
No prefácio, a historiadora Maria Inez Turuzzi oferece ao leitor de Uma parisiense no Brasil um esboço biográfico de Adèle Toussaint-Samson (1826-1911), filha de artistas da Comédie Française, que veio para o Brasil com o filho e o marido – um franco-brasileiro – fugindo da agitação política que a Europa vivia por volta da década de 1850 e para resolver seus problemas financeiros – e conseguiu! Mas aprendeu o significado da palavra saudade.

CAMPO BIBLIOGRÁFICO DO AUTOR DO LIVRO
A autora cita Charles Expilly, escritor que escreveu Mulheres e costumes do Brasil (São Paulo: Ed. Nacional, 1935) entre vários outros títulos relatando viagens ao Brasil, mas não faz referência a qualquer obra específica desse autor.

DADOS DO AVALIADOR
NOME: Paulo De Vincentis
FORMAÇÃO: Graduando em História na Universidade Federal de São Paulo
CAMPO DE ATUAÇÃO
ÁREA PRINCIPAL
ORIENTADORA: Profª. Drª. Ana Lúcia Lana Nemi

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