Dez anos no Brasil, de Carl Seidler

FICHA TÉCNICA
Autor: Carl Seidler
Título: Dez anos no Brasil
Editora: Senado Federal, Conselho Editorial
Cidade: Brasília
Ano:2003
Número de páginas: 490
Prefácio: do autor
Posfácio
Tradutor: Bertoldo Klinger
Descrição física completa: brochura ilustrada, costurada, capa mole
Preço: R$ 20,00
Fonte de consulta do preço: http://www.livrariasenado.com

Categoria da obra:
Ficção ( ); Não-ficção ( X ); Referência ( )

Público-Alvo:
Leitor Iniciante( ); Leitor Médio ( X ); Leitor Avançado ( )
Observações: o autor procurou dar uma feição erudita ao relato, alimentando metáforas com figuras mitológicas greco-romanas e nórdicas, tornando a linguagem rebuscada, por vezes.

RESUMO
No final de 1825, um jovem alemão, Carl Seidler, resolveu emigrar para o Brasil em busca de aventuras. Tornou-se tenente do 27º Batalhão de Caça do Exército e, nessa condição, foi deslocado para a fronteira entre a província de São Pedro do Sul – hoje Rio Grande do Sul – e a Banda Oriental – atual Uruguai – palco de confronto entre o Império Brasileiro e a República Argentina. Este é um dos acontecimentos narrados por Seidler em Dez anos no Brasil que também traz impressões acerca do país, reflexões sobre a conjuntura política e social de um paraíso abandonado à própria sorte.

FRASE DO NARRADOR – Doa a quem doer ou a verdade sempre dói.

TEXTO NARRATIVO
Marchas intermináveis sob a chuva, o frio, a fome, o suicídio de muitos soldados, que não suportaram essas provações, são imagens que se desprendem da narrativa de Carl Siedler sobre a campanha na região Cisplatina. O soldo atrasado, o comando sem objetivo e sem estratégia, o inimigo que evitava confronto completavam o quadro dantesco pintado pelo autor.
Contudo, a hospitalidade encontrada na cidadezinhas fronteiriças, a caça abundante nos campos, gado e cavalos onde houvesse pastagem, ameniizavam a desesperança. Por fim, um armistício protagonizado pela Inglaterra pôs fim ao conflito. O 27º Batalhão de Caça seguiria, então, para Desterro, atual Florianópolis, onde Siedler encontrou um grupo de alemães em dificuldades por conta da demora na demarcação das terras em que fundariam uma colônia.
Desavenças com o comandante do batalhão deram motivo para que Siedler requeresse transferência para o Rio de Janeiro, onde terminaria sua carreira militar no exército brasileiro, por lei aprovada na Câmara dos Deputados que proibia a presença de estrangeiros no serviço militar. Novas lutas para receber soldos atrasados e indenização se fizeram necessárias; os soldos foram pagos, quanto à indenização, apenas uma pequena parcela foi concedida. A Siedler, como para muitos outros, restara o ressentimento por sua bravura não ter sido reconhecida. E é esse ressentimento que deu a Dez anos no Brasil nuances de ironia, de crítica mordaz a Pedro I, pejorativamente chamado de Napoleão do Novo Mundo e cuja abdicação lhe foi motivo de júbilo.
A escravidão, a indolência, o consumo de fumo e cachaça – usados por brasileiros e estrangeiros -, a opressão à mulher observada no Rio de Janeiro, foram temas abordados por Carl Siedler em suas memórias. Desnecessário dizer que, para o autor, o alemão era um ser perfeito, modelo ideal para qualquer outro povo.
Eventualmente, o tradutor do livro e autor das notas, Bertoldo Klinger, deu a estas tom de defesa, rebatendo asserções historicamente inexatas com retórica triunfante para minar a credibilidade da obra. Apesar de algumas incorreções, Carl Siedler expôs problemas que a jovem nação brasileira enfrentava para se estruturar e muitos dos quais encontram-se pendentes de solução até hoje: segurança pública, corrupção, entre tantos outros.

CAMPO BIBLIOGRÁFICO DO AUTOR DO LIVRO – 5 linhas
O autor fez menção a Maquiavel, Rousseau, Platão, Epicuro, entre outros, sem se aprofundar em qualquer obra desses autores.

DADOS DO AVALIADOR
NOME: Paulo De Vincentis
FORMAÇÃO: graduando em História na Universidade Federal de São Paulo
CAMPO DE ATUAÇÃO
ÁREA PRINCIPAL
ORIENTADORA: Prof. Drª. Ana Lúcia Lana Nemi

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